O último aniversário da década dos vinte. Não tem nada a ver com a celebração em si, que foi já há um mês, mas esses tempos precisei desocupar a casa onde cresci, onde passei grande parte da minha infância e adolescência. Na idade adulta, a casa era quase que só um dormitório, com minhas horas divididas quase todas entre trabalho e faculdade. Ainda assim, ela nunca deixou de ser importante para mim, uma parte minha. E, nessas de mexer em vestígios do passado, em cadernos que um estado perene de solidão me ajudaram a preencher, em fotos de épocas passadas, em lembranças, enfim, de todas as ordens, que eu pude pensar como gosto de quem me tornei.
É que não é uma conclusão fácil a se chegar. Porque é difícil parar e pensar em quem a gente tem se tornado e conseguir, em momentos tão complicados, olhar com calma e bondade ao nosso redor. E é também complicado porque eu gosto de me cobrar bastante e posso de vez em quando pensar que estou falhando ao tentar equilibrar as coisas. É o trabalho, o mestrado, os amigos, o namoro, a casa, o basquete, a família… E, mesmo falhando, parece que está tudo bem. Tá tudo bem que as coisas estejam capengando e a gente esteja procurando formas de melhorá-las. Tá tudo bem que a gente quase nunca esteja juntos mas sabemos que estamos por aí. Aos 29 anos, eu queria estar exatamente aqui e com vocês, mesmo que nunca tenha pensado sobre isso antes.












