viagem ao centro de mim

Fazia tempo que eu não criava playlist quando Taís propôs o desafio “Minha vida em 10 músicas”. Esses desafios são tão internet-moleque do começo dos anos 2000 que eu topei para lembrar um pouco a época em que conexão só de fim-de-semana e ocupando o telefone – uma época em que o celular era coisaContinuarContinuar lendo “viagem ao centro de mim”

está morto, sossegado #8

Eu tenho essa paixão pelo mar, por passar horas olhando para ele, tentando desvendar seus misteriosos movimentos regidos pelos astros. Dentro dele, eu o desafio, apesar da minha notável fraqueza. O mar me engole de sopetão e rodo dentro da onda. Me acostumei com essa violência e me concentro em segurar a respiração enquanto pensoContinuarContinuar lendo “está morto, sossegado #8”

está morto, sossegado #7

Cada um teve que descobrir como viver depois da morte do meu avô. Ainda me lembro de como nós, as crianças, chorávamos e nos abraçamos em completo desconsolo. Eu já tinha chorado uns noventa dias antes. Primeiro, na viagem de ônibus que atravessava a cidade. Lembro de duas mulheres que conversavam, de um homem queContinuarContinuar lendo “está morto, sossegado #7”

está morto, sossegado #6

Certas coisas são sagradas. Fingimos que não, que nos movemos com liberdade através da blasfêmia contemporânea. Tarda um pouco, mas percebe-se que certas coisas são sagradas. Eu me permito não saber, mas não me permito ser ingênua. Certas coisas são sagradas e já saíram do nosso plano para uma utópica dimensão. Nossos segredos, por exemplo.ContinuarContinuar lendo “está morto, sossegado #6”

está morto, sossegado #5

Eu falava como ela é boa, tranquila, com uma felicidade genuína ainda que já tenha muita idade. Minha interlocutora respondeu dizendo que parece que é verdade que os cachorros pegam o jeito dos donos. Senti-me lisonjeada, sorri. Mas tantos dias eu olho para mim e me pergunto se não sou uma pessoa ruim, se nãoContinuarContinuar lendo “está morto, sossegado #5”

está morto, sossegado #4

A morte do meu avô foi o início da construção de um vazio em casa. A toalha sumiu, o casaco azul com a gola marrom que habitava o mancebo, as coisas no armário esquerdo do banheiro. O vazio na cadeira de balanço, na poltrona da sala, do lado esquerdo da cama. A mesa ficou maiorContinuarContinuar lendo “está morto, sossegado #4”

está morto, sossegado #3

Numa mesma semana, duas amigas me procuraram para falar sobre morte. Por dois motivos bastante diferentes, as duas se depararam com esse fenômeno absurdo (e natural, mas nem por isso menos absurdo) que é lidar com a morte do outro. As duas me procuraram _elas não sabiam_ na mesma semana em que completava um anoContinuarContinuar lendo “está morto, sossegado #3”

la esperanza adelante y los recuerdos detrás

Hoje ela embarca para a Alemanha. O que eu tinha para dizer vai em carta, num envelope lacrado, com o nome Dossiê A gente cria os amigos para o mundo. Poucas coisas tem sido mais certas do que isso nos últimos tempos. Como diz a tradução que Vivian fez de Blackbird: “Passarim preto cantando naContinuarContinuar lendo “la esperanza adelante y los recuerdos detrás”

respirar o amor, aspirando liberdade

O que eu chamei de comemoração de aniversário alguns chamariam de teste de resistência. Pessoas acordaram num sábado antes das 8 horas da manhã dispostas a andar 9,6km com um céu nublado para marcar minha entrada neste novo quarto de século. Se é verdade que o amor é como o vidro (líquido), essas fotos aparecemContinuarContinuar lendo “respirar o amor, aspirando liberdade”