um monomito para chamar de meu

Já era tarde e eu olhava para o teto do quarto escuro. Mais uma noite em que eu não conseguia dormir porque dentro de mim uma série de sensações me impediam de descansar. O corpo visivelmente cansado e a mente que não aguentava mais tanta emoção. As memórias pareciam percorrer minha extensão em fluidos eContinuarContinuar lendo “um monomito para chamar de meu”

estúpida, ridícula e frágil

Outro dia eu estava tentando lembrar como chamava aquela blogueira de look do dia que posta fotos com câmera podrinha. Tentei todas as buscas possíveis no Google. Era de “35mm fashion blogger” a “analog french outfit blogger” e nada. Não fosse Jayne lembrar que a moça se chama Jeanne Damas o mistério seguiria sem solução. JeanneContinuarContinuar lendo “estúpida, ridícula e frágil”

está morto, sossegado #8

Eu tenho essa paixão pelo mar, por passar horas olhando para ele, tentando desvendar seus misteriosos movimentos regidos pelos astros. Dentro dele, eu o desafio, apesar da minha notável fraqueza. O mar me engole de sopetão e rodo dentro da onda. Me acostumei com essa violência e me concentro em segurar a respiração enquanto pensoContinuarContinuar lendo “está morto, sossegado #8”

está morto, sossegado #7

Cada um teve que descobrir como viver depois da morte do meu avô. Ainda me lembro de como nós, as crianças, chorávamos e nos abraçamos em completo desconsolo. Eu já tinha chorado uns noventa dias antes. Primeiro, na viagem de ônibus que atravessava a cidade. Lembro de duas mulheres que conversavam, de um homem queContinuarContinuar lendo “está morto, sossegado #7”

está morto, sossegado #6

Certas coisas são sagradas. Fingimos que não, que nos movemos com liberdade através da blasfêmia contemporânea. Tarda um pouco, mas percebe-se que certas coisas são sagradas. Eu me permito não saber, mas não me permito ser ingênua. Certas coisas são sagradas e já saíram do nosso plano para uma utópica dimensão. Nossos segredos, por exemplo.ContinuarContinuar lendo “está morto, sossegado #6”

está morto, sossegado #5

Eu falava como ela é boa, tranquila, com uma felicidade genuína ainda que já tenha muita idade. Minha interlocutora respondeu dizendo que parece que é verdade que os cachorros pegam o jeito dos donos. Senti-me lisonjeada, sorri. Mas tantos dias eu olho para mim e me pergunto se não sou uma pessoa ruim, se nãoContinuarContinuar lendo “está morto, sossegado #5”

está morto, sossegado #4

A morte do meu avô foi o início da construção de um vazio em casa. A toalha sumiu, o casaco azul com a gola marrom que habitava o mancebo, as coisas no armário esquerdo do banheiro. O vazio na cadeira de balanço, na poltrona da sala, do lado esquerdo da cama. A mesa ficou maiorContinuarContinuar lendo “está morto, sossegado #4”