this is not a love post

As amigas já estão todas cientes de que voltei de Argentina com um pé-na-bunda na bagagem. Eu poderia citar o clássico Rindo à toa e dizer que doeu, doeu, agora não dói, não dói, mas não tenho certeza de que sustento a assertiva com bons argumentos. Suponho que ao longo do tempo vai doer menos, porque eu lembro que já doeu mais. Um bom indicativo dos avanços pode ser cientificamente comprovado pelas vezes que eu deixei de citar mentalmente as falas doídas de Closer, para me ver espelhada em personagens como Frances.
Perguntei a Vinicius se a gente não teria se acostumado a mediar nosso contato com a realidade com coisas ficcionais, mas não levou muito pra chegarmos à conclusão de que a realidade nunca será alcançável na sua complexidade e que, querendo ou não, nossos sentidos já se colocam entre a coisa e nós mesmos. Assim, disse ele que a literatura, o cinema, o teatro são algumas bóias que servem para nos afogar um pouco. Adiciono ainda a música e as artes visuais porque o pacote tem que vir completo. E, justamente por ainda não saber a diferença entre meu ex e Grégoire, criei uma mixtape no 8tracks chamada pra morrer de amor e viver de novo que funciona como um degradê. Começa com as músicas de curtir a fossa (porque também é preciso respeitar o espaço do sofrimento), passa pela etapa “ele é um cocô”, vai pro “nem te ligo” e finalmente chega no “pé-na-bunda-que-que-é-isso?”. Pela minha recente experiência, advirto que as fases podem ou não acontecer exatamente nessa ordem, que às vezes elas se passam todas no mesmo dia, ou de acordo com os dias da semana, ou – quem sabe?! – ao longo da vida. 

De qualquer modo, a playlist tá aí com as seguintes 20 músicas e 1h10 propondo um levanta-sacode-a-poeira-dá-a-volta-por-cima (ficou faltando Vanzolini, mas o Shin fez uma seleção sensacional de sambas que literalmente sambam na cara daqueles que nos fazem pensar que quem lucrou fui eu):

12 comentários em “this is not a love post

  1. Ouvindo sua playlist e marcando como favorita. Apesar de não ter sofrido nenhum pé na bunda (recentemente), eu me considero uma pessoa de coração partido. E olha, corações partidos são difíceis de voltarem ao normal. :/Vamos tomar uma cerveja e dançar como a Frances que a gente ganha mais! ❤

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  2. Ahhh Babi muito obrigada por ter aparecido no meu blog e ainda olhado o que comentei pelo blog da Stepahnie! É a pura verdade e sabe que admiro demais e gosto do teu talento.. tanto para escrever quanto para fotografar. Espero que um dia quando eu estiver morando em SP_espero q seja ano q vem mesmo como planejo_ eu conheça vocês duas, talvez a Stephanie seja mais difícil, mas espero mesmo assim^^Sobre sua lista de musicas, fiquei um hora no teu blog só pra poder ouvir hahahaha AMEIIIIsua seleção, essa musica do na voz de Cazuza para mim é ainda mais maravilhosa na voz de Betânia, me arrepio toda.. rsrsrsrs adorei a seleção de Its my party pq me fez relembrar minha infancia vendo O Pestinha em q ele estraga a festa da menina e ela chorando enquanto toca essa musica e eu dançava na sala, amava essa parte por causa da musica! Acho q a musica do Gotye é uma das partes mais dolorosas d um termino; quando você não reconhece mais a pessoa com quem voc dividiu tantas coisas. Marina de La riva vou indicar para uns amigos, conheço um bocado de gente que curte música assim (tem um nome esse estilo?),adorei Nouvelle Vague, shit song é maravilhosa, Nina Simone é de chegar na alma e Alanis é um hino feminino. Fotografe bastante, ouça muita música, desenhe, pinte, porque, você sabe, Arte cura. Beijos, volte sempre que quiser. ❤

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  3. é preciso curtir a fossa. ela tem o seu prazer. curtir a dor de amor, ouvir músicas bregas (não ouvi sua playlist ainda) que jamais ouviríamos se estivéssemos alegres. se não morrer de amor como vem a inspiração? e eu vejo que aqui chegou com tudo. beijo e viva bem!!

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  4. o que importa, meu amor, é que ~a gente~ sambe na cara desse povo que nos faz/fez sofrer (mas que em contrapartida nos permitem crescer e criar coisas tão lindas – quando somos esses poetas que somos).:)

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  5. Acabo de te conhecer e já te adoro! Temos todas a mesma história, com a exceção de que a nossa é muito parecida. Também voltei da Argentina – no ano passado – com o coração quebrado em mil pedaços, pouco tempo depois de ser convidada a dividir minha vida com ele. O que mais doeu foi a queda da mais alta torre de um castelo que eu mesma construí.Mas a vida dá voltas. E eu acredito na ordem das coisas. Assim que agora, tudo está onde tem que estar! Beijo Grandeum prazer Lígia

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