A morte do meu avô foi o início da construção de um vazio em casa. A toalha sumiu, o casaco azul com a gola marrom que habitava o mancebo, as coisas no armário esquerdo do banheiro. O vazio na cadeira de balanço, na poltrona da sala, do lado esquerdo da cama. A mesa ficou maiorContinuarContinuar lendo “está morto, sossegado #4”
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está morto, sossegado #3
Numa mesma semana, duas amigas me procuraram para falar sobre morte. Por dois motivos bastante diferentes, as duas se depararam com esse fenômeno absurdo (e natural, mas nem por isso menos absurdo) que é lidar com a morte do outro. As duas me procuraram _elas não sabiam_ na mesma semana em que completava um anoContinuarContinuar lendo “está morto, sossegado #3”
la esperanza adelante y los recuerdos detrás
Hoje ela embarca para a Alemanha. O que eu tinha para dizer vai em carta, num envelope lacrado, com o nome Dossiê A gente cria os amigos para o mundo. Poucas coisas tem sido mais certas do que isso nos últimos tempos. Como diz a tradução que Vivian fez de Blackbird: “Passarim preto cantando naContinuarContinuar lendo “la esperanza adelante y los recuerdos detrás”
o oposto do silêncio
Pussy Riot // Ilú Obá de Min Blackbird singing in the dead of night // Lady Stardust Fera ferida // Camisa listrada
respirar o amor, aspirando liberdade
O que eu chamei de comemoração de aniversário alguns chamariam de teste de resistência. Pessoas acordaram num sábado antes das 8 horas da manhã dispostas a andar 9,6km com um céu nublado para marcar minha entrada neste novo quarto de século. Se é verdade que o amor é como o vidro (líquido), essas fotos aparecemContinuarContinuar lendo “respirar o amor, aspirando liberdade”
está morto, sossegado #2
Existe algo de muito triste em nós três. Mas eu não consigo me aprofundar nos pensamentos de uma ou nos sentimentos da outra. A gente simplesmente sabe, e compartilha um olhar meio vago. Eu nunca enxerguei o que cada uma de nós tem da outra. Talvez uma docilidade meio arredia, um importar-se descompromissado. Talvez atéContinuarContinuar lendo “está morto, sossegado #2”
está morto, sossegado #1
Tudo está calmo agora, como se a tormenta tivesse passado e pudéssemos pousar em paz. A diferença é que sabemos _eu pelo menos sei, e sei só agora_ que pousamos sobre um amontoado de areia, que a qualquer momento será cataclismado e nos deixará _pelo menos alguma de nós_ mais uma vez sem chão.Foram oitoContinuarContinuar lendo “está morto, sossegado #1”
just like a rainbow
Suponhamos que eu trabalhe há anos com acervos e que em determinado momento mando revelar filmes dos meses de outubro até dezembro e quando chego em casa me deparo com uma coleção de imagens de meados de julho que nunca vieram a público. Não que alguém tenha sentido falta. Não que agora alguém se regozije.ContinuarContinuar lendo “just like a rainbow”
as pequenas margaridas
Ficha técnicaTítulo original: SedmikráskyAno: 1966Direção: Vera Chytilová
era só o que faltava
Sentados à mesa, Tamara propos que contássemos algo bom e algo ruim do ano que ia embora. Eu fui a mais chata ao não conseguir pensar em nada para responder. Fiquei ali, dizendo que me desculpassem, mas que eu não conseguia escolher só uma coisa boa e que talvez a coisa boa fosse que justamenteContinuarContinuar lendo “era só o que faltava”