os caminhos da morte

A morte foi uma das presenças mais constantes na minha viagem ao México. Ela surgia em conversas sobre o corpo encontrado na cidade vizinha, nos números alarmantes de feminicídios, nas lembranças recentes do terremoto do mês anterior e na ansiedade pela maior festa do país. Como eu tenho uma relação muito conflituosa com esse que éContinuarContinuar lendo “os caminhos da morte”

era 2 de outubro

Para sair da zona norte, um dos caminhos mais utilizados era a Ponte Cruzeiro do Sul. Desde muito pequena, então, eu via da janela do carro uma estranha construção em que pernas de homens ficavam penduradas entre grades. Eu pensava que os homens que escolhiam ficar nas janelas eram como eu, que assistia à televisãoContinuarContinuar lendo “era 2 de outubro”

onde o videoclipe vira arte

Produtos audiovisuais como filmes de cinema e videoclipes tem suas próprias trajetórias e seus propósitos. Com as relações entre mídias diferentes, os pontos de contato entre cinema e televisão tem sido cada vez mais comum. Tem sido habitual, por exemplo, atores e atrizes que se consagraram no cinema estrelando produções para televisão e serviços deContinuarContinuar lendo “onde o videoclipe vira arte”

elena ferrante e meu autoconhecimento

A amiga genial, de Elena Ferrante, foi um livro que me proporcionou muito autoconhecimento. A primeira coisa que aprendi é que não consigo desistir de um livro no meio e que ler rápido e querer saber como se desenrolam os fatos dentro dele, não é garantia de que estou amando a leitura A segunda coisaContinuarContinuar lendo “elena ferrante e meu autoconhecimento”

o semestre de três anos

A ideia de começar a pós-graduação parece sempre boa. Estudar mais uma coisa que a gente já sabe que gosta. O esquisito é que tem pouca matéria pra fazer e que quando eu tô de férias das matérias eu realmente não estou de férias da pesquisa. A sensação, afinal de contas, é que a pesquisaContinuarContinuar lendo “o semestre de três anos”

a girl’s best friend, II

Não sei que pessoa meus cachorros pensavam que eu era, e eles jamais entenderiam se eu dissesse que ao invés de ser quem eles supunham que eu fosse, eu preferia mesmo era ser tão boa para os outros como eles sempre foram comigo. No dia em que a Luma morreu, eu senti mais falta delaContinuarContinuar lendo “a girl’s best friend, II”

o aceite da solidão

Tudo que tenho a oferecer é meu vazio, uma solidão constante que a gente já podia vislumbrar naqueles registros em VHS em que eu, miúda de tudo, olhava pro nada numa piscina de bolinhas. Foram os dois poemas ingleses de Borges que me levaram a essa constatação, e eu gosto de verdade desses poemas porqueContinuarContinuar lendo “o aceite da solidão”

sem medo ou esperança

PresenteComo a gente escreve sobre algo tão difícil de entender ou como a gente entende algo sem falar sobre a coisa? Ou como a gente pode esboçar pensamentos sobre coisas tão complicadas, cuja essência desconhecemos e cujas consequências parecem ainda nebulosas? Talvez a gente possa se apegar a nossas crenças com um afinco que nãoContinuarContinuar lendo “sem medo ou esperança”

a recusa da beleza

Existia algo de perfeitamente plausível em ignorar por tantos anos a beleza. Se me diziam bonita, logo entendia que queriam falar que eu era boa amiga ou uma pessoa divertida. Porque bonita, bonita, não era. Em uma pasta perdida no armário, certeza que há uns desenhos que eu fazia, em que meu alter-ego era comoContinuarContinuar lendo “a recusa da beleza”

o infinito possível

Eram minhas últimas férias da escola. Meu tio me chamou para acampar na serra, lugar que só poderíamos conhecer na alta temporada se dormíssemos em barracas à margem de um córrego. Ao contrário do verão, quando acampamos por uma semana em uma barraca que parecia uma cabana, em que emulamos uma cozinha, uma sala, umContinuarContinuar lendo “o infinito possível”