sobre quem é o bandido

Em Bacurau, há movimentos interessantes na narrativa sobre o que seria o sujeito na História; não se trata de um único herói, uma pessoa dotada de uma posição quase iluminada que causará a transformação por sua boa vontade individual. Em determinado ponto do filme, fica claro que o sujeito histórico e narrativo é a própria cidade deContinuarContinuar lendo “sobre quem é o bandido”

2018 em 10 filmes

Parar para fazer uma lista com os filmes que mais gostei de ver em 2018. Passar horas, dias, na verdade, pensando naqueles que me marcaram mesmo, que anos depois vou querer usar como exemplo, dizer “tem um filme que fala bem disso”. E, com a lista pronta, pensar o que cada um deles fala paraContinuarContinuar lendo “2018 em 10 filmes”

corpo de quinta

Na quinta-feira passada, fiz uma fala sobre mulheres artistas no Estúdio Nu e aqui está a íntegra do texto. A foto é da Camila Fontenele. É possível tensionar o mundo pelas palavras e, se levarmos adiante esse pensamento, é possível transformá-lo a partir de imagens. Na História da Arte, imagens e palavras andam juntas, numa construçãoContinuarContinuar lendo “corpo de quinta”

Estojo de aquarela, doze cores

Escrever sobre você é a coisa mais difícil que eu poderia fazer. Já escrevi outras inúmeras vezes, mas agora as circunstâncias são muito diferentes, como se eu já não tivesse mais nada o que dizer. Será, quem sabe?, a última vez. Só vou escrever sobre você porque outro dia mexi no estojo de aquarela queContinuarContinuar lendo “Estojo de aquarela, doze cores”

Calça tamanho 36, estampa xadrez

Acordo do cochilo da tarde um pouco atordoada. Um mosquito no auge de sua atividade morde minha perna, coço-a e, irritada, decido sair do sofá. Vou até a cozinha, onde está minha avó, e pergunto se ela está ocupada para me ensinar a fazer a barra da calça nova que comprei. Não lembro a resposta,ContinuarContinuar lendo “Calça tamanho 36, estampa xadrez”

Musicais e a realidade através do absurdo

Eu acho que começou em 1993, com a minha mãe apertando o botão REC do videocassete para gravar Mary Poppins da televisão em um domingo à noite. Ela dormiu pouco depois do primeiro intervalo comercial e por muito tempo precisei assistir às propagandas antes de ver como Jane e Michael iriam ao centro da cidade para conhecerContinuarContinuar lendo “Musicais e a realidade através do absurdo”

Fita do Senhor do Bonfim, um nó

Hoje faz dois meses desde a última conversa que tivemos e me pergunto quanto tempo mais estaremos assim. Faz dois meses que você disse me amar e, por isso, deu um passo para trás, saindo da minha vida sem deixar muita explicação. Ainda não entendi bem o que aconteceu e aproveito esse espaço para contarContinuarContinuar lendo “Fita do Senhor do Bonfim, um nó”

Bicicleta prateada, sem marca

Na primeira semana em que estava com ela, passei tardes na oficina arrumando suas peças. Lembro-me até hoje da silenciosa disputa pela chave de boca número 15, a perfeita para tirar os parafusos das rodas. Lembro-me também do macacão que eu usava — parecia fantasiada para melhor me adequar ao ambiente. Na primeira daquelas tardes, tirei aContinuarContinuar lendo “Bicicleta prateada, sem marca”

os caminhos da morte

A morte foi uma das presenças mais constantes na minha viagem ao México. Ela surgia em conversas sobre o corpo encontrado na cidade vizinha, nos números alarmantes de feminicídios, nas lembranças recentes do terremoto do mês anterior e na ansiedade pela maior festa do país. Como eu tenho uma relação muito conflituosa com esse que éContinuarContinuar lendo “os caminhos da morte”

era 2 de outubro

Para sair da zona norte, um dos caminhos mais utilizados era a Ponte Cruzeiro do Sul. Desde muito pequena, então, eu via da janela do carro uma estranha construção em que pernas de homens ficavam penduradas entre grades. Eu pensava que os homens que escolhiam ficar nas janelas eram como eu, que assistia à televisãoContinuarContinuar lendo “era 2 de outubro”