Estojo de aquarela, doze cores

Escrever sobre você é a coisa mais difícil que eu poderia fazer. Já escrevi outras inúmeras vezes, mas agora as circunstâncias são muito diferentes, como se eu já não tivesse mais nada o que dizer. Será, quem sabe?, a última vez. Só vou escrever sobre você porque outro dia mexi no estojo de aquarela queContinuarContinuar lendo “Estojo de aquarela, doze cores”

Calça tamanho 36, estampa xadrez

Acordo do cochilo da tarde um pouco atordoada. Um mosquito no auge de sua atividade morde minha perna, coço-a e, irritada, decido sair do sofá. Vou até a cozinha, onde está minha avó, e pergunto se ela está ocupada para me ensinar a fazer a barra da calça nova que comprei. Não lembro a resposta,ContinuarContinuar lendo “Calça tamanho 36, estampa xadrez”

Fita do Senhor do Bonfim, um nó

Hoje faz dois meses desde a última conversa que tivemos e me pergunto quanto tempo mais estaremos assim. Faz dois meses que você disse me amar e, por isso, deu um passo para trás, saindo da minha vida sem deixar muita explicação. Ainda não entendi bem o que aconteceu e aproveito esse espaço para contarContinuarContinuar lendo “Fita do Senhor do Bonfim, um nó”

Bicicleta prateada, sem marca

Na primeira semana em que estava com ela, passei tardes na oficina arrumando suas peças. Lembro-me até hoje da silenciosa disputa pela chave de boca número 15, a perfeita para tirar os parafusos das rodas. Lembro-me também do macacão que eu usava — parecia fantasiada para melhor me adequar ao ambiente. Na primeira daquelas tardes, tirei aContinuarContinuar lendo “Bicicleta prateada, sem marca”

Cômoda nova, quatro gavetas

Eu não devia falar dessas coisas. Já passa da meia-noite, seguro. A gente chegou em casa era o quê, onze-e-meia, né. A gente entrou num show de rock sem ingresso porque eu disse “se a gente quiser, agora dá pra entrar”. A moça que cuidava da entrada estava no telefone e quem tinha os ingressosContinuarContinuar lendo “Cômoda nova, quatro gavetas”