o fora do programa

Eu tenho um costume muito particular de fazer-me perguntas supostamente sem resposta. Foi assim que descobri que gosto mais de dormir do que de comer e que, se eu pudesse, gostaria de ser Beatriz Sarlo. Não lembro exatamente o contexto, só lembro que era um momento difícil da vida, depois de formada e sem trabalho,ContinuarContinuar lendo “o fora do programa”

está morto, sossegado #2

Existe algo de muito triste em nós três. Mas eu não consigo me aprofundar nos pensamentos de uma ou nos sentimentos da outra. A gente simplesmente sabe, e compartilha um olhar meio vago. Eu nunca enxerguei o que cada uma de nós tem da outra. Talvez uma docilidade meio arredia, um importar-se descompromissado. Talvez atéContinuarContinuar lendo “está morto, sossegado #2”

está morto, sossegado #1

Tudo está calmo agora, como se a tormenta tivesse passado e pudéssemos pousar em paz. A diferença é que sabemos _eu pelo menos sei, e sei só agora_ que pousamos sobre um amontoado de areia, que a qualquer momento será cataclismado e nos deixará _pelo menos alguma de nós_ mais uma vez sem chão.Foram oitoContinuarContinuar lendo “está morto, sossegado #1”

vossa excelência, o textão

Antes mesmo de ser modinha acusar adversárias de levianas, eu tinha esse medo. Sempre tive, de falar coisas desconexas ou facilmente refutáveis. Quase nunca escrevo textos no calor do momento porque abrem-se mil caminhos e fico parada no meio, não sabendo guiar as massas e muito menos as palavras. Sábia escolha ter cursado História. PossoContinuarContinuar lendo “vossa excelência, o textão”

nunca deixamos de ser românticos

Era com goles de chá e petiscando biscoitos que discutíamos como o Romantismo nunca acabou. Já era quase madrugada, mas ali estávamos, falando sobre como a nossa estrutura de pensamento é insuportavelmente romântica e que isso nada tem a ver com amor. Naquela época, para ser bem sincera, amor era a última coisa que nosContinuarContinuar lendo “nunca deixamos de ser românticos”

com o vento do leste

Estávamos informalmente conversando sobre filmes de princesas e Helena, assim como eu, comentou que não tinha um filme de princesa favorito na infância. Dos clássicos, ela tinha crescido assistindo a Robin Hood, enquanto eu era viciada em Mary Poppins (uma tendência protomarxista de infância, parece). Todos os dias antes de dormir, eu pedia para minha mãe colocarContinuarContinuar lendo “com o vento do leste”

à força de conhecer

O passeio chegava ao fim quando começamos a conversar sobre política argentina com um homem da província vizinha. Comentamos com ele como nos sentimos aliens ao pleitear eleições para reitor, ainda que saibamos que no seu país essa é uma conquista histórica há quase cem anos. Com um ar de sábio que cruza o caminhoContinuarContinuar lendo “à força de conhecer”

qualquer coisa que funcione

O fato de eu não fazer resoluções de ano novo não quer dizer que não pense nas coisas que desejo para o futuro. Eu me lembro de estar com os pés na areia na virada do ano, cercada de gente que eu não conhecia ou que no máximo conhecera havia pouco tempo, olhando os fogosContinuarContinuar lendo “qualquer coisa que funcione”