Fita do Senhor do Bonfim, um nó

Hoje faz dois meses desde a última conversa que tivemos e me pergunto quanto tempo mais estaremos assim. Faz dois meses que você disse me amar e, por isso, deu um passo para trás, saindo da minha vida sem deixar muita explicação. Ainda não entendi bem o que aconteceu e aproveito esse espaço para contarContinuar lendo "Fita do Senhor do Bonfim, um nó"

Bicicleta prateada, sem marca

Na primeira semana em que estava com ela, passei tardes na oficina arrumando suas peças. Lembro-me até hoje da silenciosa disputa pela chave de boca número 15, a perfeita para tirar os parafusos das rodas. Lembro-me também do macacão que eu usava — parecia fantasiada para melhor me adequar ao ambiente. Na primeira daquelas tardes, tirei aContinuar lendo "Bicicleta prateada, sem marca"

you’re incandescent

Na última semana, tenho ouvido músicas de quase que só três artistas incansavelmente. Como se eu só tivesse um ou dois humores; o terceiro aparecendo para eu me sentir um pouco mais complexa. Tenho muita dificuldade em me apaixonar por coisas novas e sempre acabo correndo de volta para os braços das mesmas músicas. MeContinuar lendo "you’re incandescent"

tell me it’s okay to live life this way

É como se houvesse duas forças antagônicas em mim: uma muito sociável, que ama e deseja a companhia de pessoas e outra que só quer silêncio e espaço para si. Elas entraram em tensão profunda perto do meu aniversário e eu não sabia bem a qual conceder a vitória. Já tínhamos combinado quase todos osContinuar lendo "tell me it’s okay to live life this way"

os caminhos da morte

A morte foi uma das presenças mais constantes na minha viagem ao México. Ela surgia em conversas sobre o corpo encontrado na cidade vizinha, nos números alarmantes de feminicídios, nas lembranças recentes do terremoto do mês anterior e na ansiedade pela maior festa do país. Como eu tenho uma relação muito conflituosa com esse que éContinuar lendo "os caminhos da morte"

antes que o verão me alcance

É quase verão de novo. E as cores e os sorrisos do Rio de Janeiro ainda estavam dentro de um rolo plástico, escondido dos olhos da gente. O diminuto espaço também guardava uma quantidade absurda de lembranças, algumas que eu até tinha esquecido. Meu aniversário, Carnaval, outros aniversários, festas juninas. Eu poderia jogar essas fotosContinuar lendo "antes que o verão me alcance"

era 2 de outubro

Para sair da zona norte, um dos caminhos mais utilizados era a Ponte Cruzeiro do Sul. Desde muito pequena, então, eu via da janela do carro uma estranha construção em que pernas de homens ficavam penduradas entre grades. Eu pensava que os homens que escolhiam ficar nas janelas eram como eu, que assistia à televisãoContinuar lendo "era 2 de outubro"

excertos do meu diário

Nunca pensei que diários de viagem seria um gênero literário que me chamaria a atenção nem sequer imaginava que um dia eu, a senhora displicência, daria conta de escrever por tanto tempo em uma viagem. Acho que o primeiro diário de viagem que eu gostei de verdade de ler foi o Kimland, da Juliana Cunha,Continuar lendo "excertos do meu diário"

diário de oaxaca

"Ao saber que é minha primeira visita ao México, ele fala calorosamente sobre o país e me empresta seu guia de viagem. Que eu não deixe de ver a colossal árvore de Oaxaca: tem mais de mil anos, é uma maravilha natural famosa. Sim, respondo, ouço falar dessa árvore desde menino, vi fotos antigas, éContinuar lendo "diário de oaxaca"

Memória do mundo

Ao longo de 20 minutos, Alain Resnais nos guia por estruturas metálicas, porões, corredores e grandes salões que suportam e compõem a Biblioteca Nacional da França. Ali repousa o que ele chama de Toda a Memória do Mundo. A biblioteca adquire, nesse curta-metragem de 1957, formas diversas. O lugar pode ser comparado a um formigueiro porContinuar lendo "Memória do mundo"