Esboço poemas à beira do mar mas todos soam patéticos. Desisto, deito na canga. O calor de janeiro faz minha pele brilhar bonita, mas fica quente demais e eu corro ao encontro do mar. Uma água igualmente quente me alivia as quenturas. Junto à canga, um livro, minha mochila, ali, sozinhos. A praia em diaContinuar lendo "metáfora nenhuma"
a melhor parte de mim
Todo dia 26 de janeiro é aquilo. Eu vou dormir no dia 25 meio tensa pensando em como o tempo é implacável e passa levando a todos nós. Faço algum tipo de balanço mental, me pergunto se era aqui mesmo que eu queria estar na minha vida e os resultados variam consideravelmente de ano paraContinuar lendo "a melhor parte de mim"
seis meses incompletos
Quando eu pego a câmera analógica para fotografar algum momento com meus amigos, sempre aparece alguém para informar que aquelas fotos só surgirão reveladas seis meses depois. Se você é meu amigo, com certeza já ouviu isso e, se não ouviu, foi porque você mesmo quem disse. Fato é que meus amigos estão quase sempreContinuar lendo "seis meses incompletos"
a atual vida na internet
Interessar-me sobre internet sempre foi, de algum modo, interessar-me sobre mim mesma e os lugares que frequento. Há tempos digo isso por aqui, mas não faz muito que isso se tornou central na minha vida. De ser como que forçada a pensar sobre tudo isso que está aqui; antes era só um hobby, um interesseContinuar lendo "a atual vida na internet"
a girl’s best friend, II
Não sei que pessoa meus cachorros pensavam que eu era, e eles jamais entenderiam se eu dissesse que ao invés de ser quem eles supunham que eu fosse, eu preferia mesmo era ser tão boa para os outros como eles sempre foram comigo. No dia em que a Luma morreu, eu senti mais falta delaContinuar lendo "a girl’s best friend, II"
o aceite da solidão
Tudo que tenho a oferecer é meu vazio, uma solidão constante que a gente já podia vislumbrar naqueles registros em VHS em que eu, miúda de tudo, olhava pro nada numa piscina de bolinhas. Foram os dois poemas ingleses de Borges que me levaram a essa constatação, e eu gosto de verdade desses poemas porqueContinuar lendo "o aceite da solidão"
sem medo ou esperança
PresenteComo a gente escreve sobre algo tão difícil de entender ou como a gente entende algo sem falar sobre a coisa? Ou como a gente pode esboçar pensamentos sobre coisas tão complicadas, cuja essência desconhecemos e cujas consequências parecem ainda nebulosas? Talvez a gente possa se apegar a nossas crenças com um afinco que nãoContinuar lendo "sem medo ou esperança"
hiroshima meu amor
Ficha técnicaTítulo original: Hiroshima Mon AmourAno: 1959Direção: Alain ResnaisRoteiro: Marguerite Duras
a recusa da beleza
Existia algo de perfeitamente plausível em ignorar por tantos anos a beleza. Se me diziam bonita, logo entendia que queriam falar que eu era boa amiga ou uma pessoa divertida. Porque bonita, bonita, não era. Em uma pasta perdida no armário, certeza que há uns desenhos que eu fazia, em que meu alter-ego era comoContinuar lendo "a recusa da beleza"
Viajo porque preciso
O agente da imigração me perguntou se eu já era maior de idade e não estava fugindo dos meus pais. Garanti que a idade do passaporte era real e que logo menos estaria de volta para o Brasil. Ele me devolveu o documento me desejando boa viagem. Dois dias depois, entrei num café em BerlimContinuar lendo "Viajo porque preciso"