Nunca pensei que diários de viagem seria um gênero literário que me chamaria a atenção nem sequer imaginava que um dia eu, a senhora displicência, daria conta de escrever por tanto tempo em uma viagem. Acho que o primeiro diário de viagem que eu gostei de verdade de ler foi o Kimland, da Juliana Cunha,ContinuarContinuar lendo “excertos do meu diário”
Arquivos da categoria: textos
Memória do mundo
Ao longo de 20 minutos, Alain Resnais nos guia por estruturas metálicas, porões, corredores e grandes salões que suportam e compõem a Biblioteca Nacional da França. Ali repousa o que ele chama de Toda a Memória do Mundo. A biblioteca adquire, nesse curta-metragem de 1957, formas diversas. O lugar pode ser comparado a um formigueiro porContinuarContinuar lendo “Memória do mundo”
onde o videoclipe vira arte
Produtos audiovisuais como filmes de cinema e videoclipes tem suas próprias trajetórias e seus propósitos. Com as relações entre mídias diferentes, os pontos de contato entre cinema e televisão tem sido cada vez mais comum. Tem sido habitual, por exemplo, atores e atrizes que se consagraram no cinema estrelando produções para televisão e serviços deContinuarContinuar lendo “onde o videoclipe vira arte”
Cômoda nova, quatro gavetas
Eu não devia falar dessas coisas. Já passa da meia-noite, seguro. A gente chegou em casa era o quê, onze-e-meia, né. A gente entrou num show de rock sem ingresso porque eu disse “se a gente quiser, agora dá pra entrar”. A moça que cuidava da entrada estava no telefone e quem tinha os ingressosContinuarContinuar lendo “Cômoda nova, quatro gavetas”
elena ferrante e meu autoconhecimento
A amiga genial, de Elena Ferrante, foi um livro que me proporcionou muito autoconhecimento. A primeira coisa que aprendi é que não consigo desistir de um livro no meio e que ler rápido e querer saber como se desenrolam os fatos dentro dele, não é garantia de que estou amando a leitura A segunda coisaContinuarContinuar lendo “elena ferrante e meu autoconhecimento”
o semestre de três anos
A ideia de começar a pós-graduação parece sempre boa. Estudar mais uma coisa que a gente já sabe que gosta. O esquisito é que tem pouca matéria pra fazer e que quando eu tô de férias das matérias eu realmente não estou de férias da pesquisa. A sensação, afinal de contas, é que a pesquisaContinuarContinuar lendo “o semestre de três anos”
a girl’s best friend, II
Não sei que pessoa meus cachorros pensavam que eu era, e eles jamais entenderiam se eu dissesse que ao invés de ser quem eles supunham que eu fosse, eu preferia mesmo era ser tão boa para os outros como eles sempre foram comigo. No dia em que a Luma morreu, eu senti mais falta delaContinuarContinuar lendo “a girl’s best friend, II”
o aceite da solidão
Tudo que tenho a oferecer é meu vazio, uma solidão constante que a gente já podia vislumbrar naqueles registros em VHS em que eu, miúda de tudo, olhava pro nada numa piscina de bolinhas. Foram os dois poemas ingleses de Borges que me levaram a essa constatação, e eu gosto de verdade desses poemas porqueContinuarContinuar lendo “o aceite da solidão”
sem medo ou esperança
PresenteComo a gente escreve sobre algo tão difícil de entender ou como a gente entende algo sem falar sobre a coisa? Ou como a gente pode esboçar pensamentos sobre coisas tão complicadas, cuja essência desconhecemos e cujas consequências parecem ainda nebulosas? Talvez a gente possa se apegar a nossas crenças com um afinco que nãoContinuarContinuar lendo “sem medo ou esperança”
a recusa da beleza
Existia algo de perfeitamente plausível em ignorar por tantos anos a beleza. Se me diziam bonita, logo entendia que queriam falar que eu era boa amiga ou uma pessoa divertida. Porque bonita, bonita, não era. Em uma pasta perdida no armário, certeza que há uns desenhos que eu fazia, em que meu alter-ego era comoContinuarContinuar lendo “a recusa da beleza”