O agente da imigração me perguntou se eu já era maior de idade e não estava fugindo dos meus pais. Garanti que a idade do passaporte era real e que logo menos estaria de volta para o Brasil. Ele me devolveu o documento me desejando boa viagem. Dois dias depois, entrei num café em BerlimContinuarContinuar lendo “Viajo porque preciso”
Arquivos da categoria: textos
o infinito possível
Eram minhas últimas férias da escola. Meu tio me chamou para acampar na serra, lugar que só poderíamos conhecer na alta temporada se dormíssemos em barracas à margem de um córrego. Ao contrário do verão, quando acampamos por uma semana em uma barraca que parecia uma cabana, em que emulamos uma cozinha, uma sala, umContinuarContinuar lendo “o infinito possível”
Quanto custam os megaeventos esportivos?
Foi em 2009 que o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou na Dinamarca que a cidade do Rio de Janeiro seria responsável por receber os Jogos Olímpicos de 2016. Dois anos antes, os Jogos Pan-Americanos tinham sido realizados por ali e já indicavam alguns problemas que podiam se repetir no futuro — mas que foram entendidosContinuarContinuar lendo “Quanto custam os megaeventos esportivos?”
pequeno inventário dos que ficaram
GRETA Greta estava sentada a algumas mesas de distância no café da manhã mas se levantou para se sentar comigo. Disse que não gostava de fazer refeições sozinha, mas reparei que já tinha terminado sua comida. Foi seu jeito de disfarçar que queria sentar ali e conversar um pouco. Apresentou-se e eu disse que meContinuarContinuar lendo “pequeno inventário dos que ficaram”
sobre a constante cosmológica
Na noite distante e na mente cansadaúltimas memórias aparecem desnudas;os erros abandonados à interpretaçãoe um último toque naquilo que erao desejo irreparável de registro.Dedos guardavam mensagens criptografadasinventadas na sua pele desde nascido.Decifrei cada frase desconexa em pintas,sinais, manchas e nevos melanocíticos,e contei-lhe sobre os léxicos, as semânticas,estruturas verbais, o riso que me dava.Liguei os pontosContinuarContinuar lendo “sobre a constante cosmológica”
sem título, 03
She was not aware of her weaknessbecause she spent so much timeobserving little ants walking by.Their little feet, and big strengththeir unheard conversations,the ability of touching smellsand changing worlds around them.Sometimes she would eat one or twoproducing chaos with her handto understand if their qualitiescould casually achieve her.She was not sure about the meaningof impossibleContinuarContinuar lendo “sem título, 03”
A celebração da morte
Certa vez comentei algo sobre minha própria morte e recebi como resposta apressada um “Credo!” da pessoa com quem eu conversava. Eu tinha falado de algo muito prático, talvez informando que queria que, morrendo, meus órgãos fossem doados. Minha mensagem foi transmitida, mas fiquei encafifada com aquele “Credo!”. A simples menção a uma coisa –ContinuarContinuar lendo “A celebração da morte”
o corpo do homem me espera
As esteiras me fazem caminhar sem esforçoe as estrelas me colocam pequena no espaço.O corpo é o território percorrido antes daslágrimas não choradas no velho aeroporto.Ensaio chorar em um canto novo do saguãomas tristeza não explica a forçada despedida.Sei que o corpo do homem me espera.Olho para o lado e, de novo, tudo é novo.MeContinuarContinuar lendo “o corpo do homem me espera”
o ano em que quis não ser
As coisas acontecem. Simplesmente se passam, uma seguida à outra, simultaneamente ou não. E a gente faz retrospectiva sobre o ano que passou pelo mesmo motivo que a gente estuda História na universidade: pra tentar dar um sentido ao excesso de acontecimentos que parecem absolutamente aleatórios. 2015 foi desses. Bem aleatórios. O esforço em darContinuarContinuar lendo “o ano em que quis não ser”
A revolta dos pinguins
Em outubro de 2015, escolas estaduais de São Paulo começaram a ser ocupadas pelos seus alunos em protesto contra o que o governo do estado chamou de “Reorganização”. A gente até já explicou por aqui o que isso significava. Com mais de duzentas escolas ocupadas, o governo do estado acabou recuando e suspendendo o plano inicial. OContinuarContinuar lendo “A revolta dos pinguins”