Interessar-me sobre internet sempre foi, de algum modo, interessar-me sobre mim mesma e os lugares que frequento. Há tempos digo isso por aqui, mas não faz muito que isso se tornou central na minha vida. De ser como que forçada a pensar sobre tudo isso que está aqui; antes era só um hobby, um interesseContinuarContinuar lendo “a atual vida na internet”
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o aceite da solidão
Tudo que tenho a oferecer é meu vazio, uma solidão constante que a gente já podia vislumbrar naqueles registros em VHS em que eu, miúda de tudo, olhava pro nada numa piscina de bolinhas. Foram os dois poemas ingleses de Borges que me levaram a essa constatação, e eu gosto de verdade desses poemas porqueContinuarContinuar lendo “o aceite da solidão”
sem medo ou esperança
PresenteComo a gente escreve sobre algo tão difícil de entender ou como a gente entende algo sem falar sobre a coisa? Ou como a gente pode esboçar pensamentos sobre coisas tão complicadas, cuja essência desconhecemos e cujas consequências parecem ainda nebulosas? Talvez a gente possa se apegar a nossas crenças com um afinco que nãoContinuarContinuar lendo “sem medo ou esperança”
hiroshima meu amor
Ficha técnicaTítulo original: Hiroshima Mon AmourAno: 1959Direção: Alain ResnaisRoteiro: Marguerite Duras
a recusa da beleza
Existia algo de perfeitamente plausível em ignorar por tantos anos a beleza. Se me diziam bonita, logo entendia que queriam falar que eu era boa amiga ou uma pessoa divertida. Porque bonita, bonita, não era. Em uma pasta perdida no armário, certeza que há uns desenhos que eu fazia, em que meu alter-ego era comoContinuarContinuar lendo “a recusa da beleza”
still on the run
Já é quase outubro mas o frio insiste em ficar. Olho para as fotos de maio e junho que foram deixadas de lado, na esperança de que eu fotografasse mais antes de querer colocá-las aqui, e lembro do fim do outono e da umidade estranha que chegou naqueles tempos. Não fotografei muito mais do queContinuarContinuar lendo “still on the run”
o infinito possível
Eram minhas últimas férias da escola. Meu tio me chamou para acampar na serra, lugar que só poderíamos conhecer na alta temporada se dormíssemos em barracas à margem de um córrego. Ao contrário do verão, quando acampamos por uma semana em uma barraca que parecia uma cabana, em que emulamos uma cozinha, uma sala, umContinuarContinuar lendo “o infinito possível”
winona essencial
Ter terminado Stranger Things só me motivou a falar de uma das pessoas sobre as quais mais gosto de falar: Winona Ryder. Aprendi com ela que ninguém está muito bem e que ninguém é muito normal. Seja porque esse mundo foi feito mais para Gwyneths do que para Winonas, ou porque os 30 são umaContinuarContinuar lendo “winona essencial”
we used to play outside when we were young
A janela do quarto é enorme e demanda uma bela cortina. Alguns aluguéis já foram pagos e nenhum tecido inibe a entrada devastadora da luz no ambiente. Descobri que comprando uma máscara para os olhos já resolvia grande parte do problema. Além disso, quando for sexta à noite de um feriado nacional e todas asContinuarContinuar lendo “we used to play outside when we were young”
sobre a constante cosmológica
Na noite distante e na mente cansadaúltimas memórias aparecem desnudas;os erros abandonados à interpretaçãoe um último toque naquilo que erao desejo irreparável de registro.Dedos guardavam mensagens criptografadasinventadas na sua pele desde nascido.Decifrei cada frase desconexa em pintas,sinais, manchas e nevos melanocíticos,e contei-lhe sobre os léxicos, as semânticas,estruturas verbais, o riso que me dava.Liguei os pontosContinuarContinuar lendo “sobre a constante cosmológica”