C. me contava de uma camiseta que comprou por alguns oitenta dinheiros. Falava meio constrangido da compra, enquanto se justificava sobre o porquê ter pago tanto em uma peça de roupa. Eu disse a ele que se tranquilizasse com o assunto (devo ter dito “ih, de boa”) porque estava muito impactada com um livro sobreContinuarContinuar lendo “o casaco de marx e a saia de dodora”
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sobre a mulher que vai
Penélope é uma das personagens do poema épico A Odisséia, de Homero. Ulisses (ou Odisseu), seu marido, parte para uma das sagas mais famosas da literatura ocidental e ela o espera por anos. Nesse período, recebe muitas propostas de casamento, mas diz que só poderá se casar quando terminar de tecer um sudário para seuContinuarContinuar lendo “sobre a mulher que vai”
vivo avoando sem nunca mais parar
Não acho que eu seja o público-alvo de filmes do Ben Stiller, mas fui ver A vida secreta de Walter Mitty em um dia de tédio profundo. Surpreendi-me: eu devo ter rido alto umas três vezes ao longo do filme e ainda concordei com o personagem do Sean Penn, o fotógrafo que passa horas esperandoContinuarContinuar lendo “vivo avoando sem nunca mais parar”
e salvam-se todos
A cada quinze dias, cientistas divulgam novos resultados de pesquisas que indicam que a puberdade acaba mais tarde. Não vejo vantagem nisso, uma vez que chegar aos meus dezoito anos foi embrulhar o pacotinho da puberdade e atirá-lo ao mar, como um período bizarro que enfim acabava. Nas últimas semanas, dei passos importantes em frentesContinuarContinuar lendo “e salvam-se todos”
realismo mágico
Eu poderia ser hipster e dizer que já curtia o Uruguai antes de ser tendência. Não que o conhecesse pessoalmente, mas no curso de História, a disciplina de História da América Independente converteu-se facilmente em um dos meus xodós e, por isso, em 2010, li A Trégua, de Mario Benedetti, que tem como cenário aContinuarContinuar lendo “realismo mágico”
a girl’s best friend
Percebi a passagem do tempo não com o fim do ensino médio e esse quase fim da graduação, não com os novos amigos que foram entrando no círculo ou por não caber mais nas roupas que eu cabia. Foi a velhice do Feroz que me fez notar que o tempo estava passando. Para todos nós.EleContinuarContinuar lendo “a girl’s best friend”
ausência presente
Após cem dias de internação no hospital, meu avô – com quem eu morava – morreu nessa semana. Evidentemente, não há muito o que dizer e, como de costume, tento tratar da tristeza com alguma forma de beleza. É nos resquícios materiais de sua presença que sua ausência tem sido evidenciada. Assim como acontece comContinuarContinuar lendo “ausência presente”
beat it
Philip Roth, em entrevista à Época, disse que os livros de Jack Kerouac têm sido supervalorizados, e que o próprio sempre foi um narrador banal. Por falta de tempo e oportunidade, ainda não li nada do Roth, mas achei que ele fala umas abóboras no meio da entrevista. A principal delas, na minha opinião, éContinuarContinuar lendo “beat it”
mais óleo do que vinho
Uma visão de mundo em que não existe graça nem desgraça. Em que tudo é só uma possibilidade probabilística. É assim que considero a minha existência; um fato ruim é um passo em falso no acaso, e uma coisa boa obedece a mesma lógica. Estudando História, tenho razões pra supor que há uma probabilidade grandeContinuarContinuar lendo “mais óleo do que vinho”
o espaço deixado por aziz
Assim que minha mãe soube da morte de Aziz Ab’Sáber, me telefonou. Eu estava na aula e fui informada pelo professor tão logo ele começou a falar. A sala soltou uma interjeição de espanto e eu propriamente tive que lidar com a estranha sensação de falta que a notícia me proporcionou. Nunca conversei com oContinuarContinuar lendo “o espaço deixado por aziz”